Como jogar Planning Poker (regras oficiais)
O Planning Poker foi criado por James Grenning em 2002, durante um planejamento de release em que os membros mais sêniores dominavam a conversa e o resto da equipe se desligava. A técnica foi popularizada por Mike Cohn no livro Agile Estimating and Planning (2005) — Planning Poker® é marca registrada da Mountain Goat Software.
O fluxo de uma rodada
- O Product Owner lê a história ou descreve a funcionalidade a estimar.
- A equipe faz perguntas de esclarecimento — discussão breve, sem citar números.
- Cada pessoa escolhe uma carta em segredo com sua estimativa.
- Todas as cartas são reveladas ao mesmo tempo.
- Se os valores divergirem, quem deu a menor e a maior estimativa explica seu raciocínio — é aqui que mora o maior valor da técnica: entendimento compartilhado, não só um número.
- Nova discussão breve e re-voto, até chegar ao consenso (em geral 2–3 rodadas).
Por que os votos são simultâneos?
Para eliminar o viés de ancoragem: o primeiro número dito em voz alta "ancora" as estimativas de todo mundo. Com cartas secretas e revelação simultânea, cada estimativa nasce independente — inclusive a das pessoas mais juniores, que deixariam de discordar do sênior em uma conversa aberta.
As cartas e o que significam
- 0, ½, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 20, 40, 100 — a sequência Fibonacci modificada. Os saltos crescem porque a incerteza cresce com o tamanho: distinguir 20 de 21 é ilusão de precisão.
- 0 — trivial ou já feito; custo desprezível.
- ? — não tenho informação suficiente para estimar.
- ☕ — preciso de uma pausa; a reunião já passou do ponto.
Boas práticas
- Não tire a média — o valor final vem do consenso após a conversa, não de cálculo.
- Só quem executa o trabalho vota; o Product Owner esclarece, mas não estima.
- Use um timer de ~2 minutos por discussão para evitar a paralisia por análise — quando o tempo acaba, joga-se nova rodada.
- Não persiga o consenso perfeito: se as estimativas estão próximas (um 5 e um 8), aceite o valor predominante — ou o maior — e siga em frente.
- Histórias com "?" recorrente voltam para refinamento antes de nova estimativa.
PBI ou user story: o que o Planning Poker estima?
É uma confusão comum, e a resposta importa porque muda o vocabulário da sua reunião: o Planning Poker estima PBIs — itens do Product Backlog. "User story" não é um conceito do Scrum.
O Scrum Guide 2020 fala apenas em Product Backlog Item; a expressão "user story" não aparece uma única vez no documento. Ela nasceu no Extreme Programming, com Kent Beck, e virou popular depois de User Stories Applied, do Mike Cohn — o mesmo autor que popularizou o Planning Poker. Ou seja: a user story é oformato mais usado para escrever um PBI, não o item em si.
Na prática, um PBI pode ser:
- uma user story ("Como cliente, quero salvar meu cartão para…");
- um bug ("Corrigir erro 500 ao salvar perfil sem telefone");
- um spike, investigação com tempo fixo ("Avaliar se o gateway suporta Pix");
- uma tarefa técnica ou de infraestrutura, sem usuário final visível.
Todos são estimados do mesmo jeito. Por isso a importação de backlog desta ferramenta aceita qualquer texto e não valida formato de user story: exigir "Como… quero… para…" só faria você reescrever bug como se fosse história — o que é teatro, não estimativa. Se a sua equipe usa story points, o que ela mede é tamanho relativo do item, seja ele qual for.
Perguntas frequentes
O que é Planning Poker?
Planning Poker é uma técnica ágil de estimativa em consenso criada por James Grenning em 2002 e popularizada por Mike Cohn. Cada membro da equipe escolhe uma carta em segredo e todas são reveladas ao mesmo tempo, evitando que a opinião de uma pessoa influencie as demais (viés de ancoragem).
Quais cartas são usadas no Planning Poker?
A sequência oficial é a Fibonacci modificada: 0, ½, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 20, 40 e 100, mais as cartas especiais "?" (não sei estimar) e "☕" (preciso de uma pausa). Também são comuns a Fibonacci pura e os tamanhos de camiseta (PP a XG).
Como funciona uma rodada de Planning Poker?
O Product Owner lê a história, a equipe tira dúvidas, cada pessoa escolhe uma carta em segredo e todas são reveladas juntas. Se houver divergência, quem deu a menor e a maior estimativa explica seu raciocínio e vota-se de novo, até chegar perto do consenso — normalmente em 2 ou 3 rodadas.
O Planning Poker é usado com PBI ou com user story?
Com PBI — item do Product Backlog. "User story" não é um conceito do Scrum: o Scrum Guide 2020 fala apenas em Product Backlog Item. A user story nasceu no Extreme Programming, com Kent Beck, e foi popularizada por Mike Cohn como o formato mais comum de escrever um PBI. Ou seja: você estima o item, seja ele user story, bug, spike ou tarefa técnica. Por isso a ferramenta aceita qualquer formato na importação do backlog.
Dá para importar o backlog para a sessão?
Dá. Na mesa local você cola a lista de itens (um por linha) ou importa um CSV com as colunas id e titulo — há um template para baixar. A ferramenta percorre os itens um a um, registra a estimativa combinada em cada um e exporta um CSV no final, que pode ser reimportado depois.
Posso tirar a média das estimativas?
Não é o recomendado. O valor final deve sair do consenso após a discussão, não de um cálculo. A média e a mediana mostradas pela ferramenta servem apenas como referência para a conversa.
Essa ferramenta de Planning Poker é grátis?
Sim. Os dois modos — mesa local e sala online com QR code — são grátis, sem cadastro e sem limite de rodadas. As salas online expiram automaticamente após 4 horas.